Permitida a passagem

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Acima: O High Line em NY, espaço que recuperou uma área degradada.

O conceito walkability pela qualidade de vida das cidades.

As alterações de uma cidade onde os carros circulavam livremente para uma cidade exemplar pensada para o pedestre, já nos anos 1960, fazem de Copenhage uma referência em desenho urbano. Considerada a capital mais feliz do mundo, a cidade dinamarquesa faz parte do conceito walkability, que vem a ser mobilidade urbana sustentável. No caso de Copenhage, diversos bairros oferecem a facilidade do deslocamento que é realizado a pé ou de bicicleta, em mais de 346 km de ciclovias. Os carros também circulam, mas sem interferir no conforto de pedestres e ciclistas, que têm o privilégio de ir e vir com fluidez nas ruas, calçadas e travessias com segurança.

Um dos responsáveis por essa mudança na estrutura viária é o arquiteto, urbanista e consultor dinamarquês Jan Gehl, focado em estudos sobre qualidade de vida em áreas urbanas. Autor de livros, como o best-seller “Cidades para pessoas” (2010), é uma das referências mundiais quando o assunto é mobilidade, sustentabilidade e segurança. Gehl defende a humanização de espaços públicos por meio de planejamento urbano, entendendo que, ao propiciar um ambiente pensado para o homem, torna as pessoas mais felizes, e isso se reflete em outros aspectos da vida, como saúde física e emocional, relacionamentos, trabalho.

Copenhage, a capital mais feliz do mundo, faz parte do conceito walkability, que vem a ser mobilidade urbana sustentável.

Embora os gestores públicos estejam focando em investimentos direcionados para criarem praças e ciclovias, ainda é grande o número de veículos automotores produzidos e lançados no mercado. No Brasil, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o mês de março registrou um aumento de 18,1% de carros em relação ao mesmo período do ano anterior.

Nesse contexto, a diretora coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), professora Ana Rosa Sulzbach Cé, comenta que, com o advento do automóvel, se construiu a imagem de que possuir e conduzir um carro dá status e “qualidade de vida”, e as cidades foram sendo estruturadas para facilitar o fluxo do trânsito motorizado, em detrimento do pedestre. No entanto, há poucos anos, o bom senso de alguns agentes públicos tem sido visto em iniciativas, como o fechamento da avenida Paulista, em São Paulo, nos domingos, para que seja ocupado para caminhar, andar de bicicleta, e avenidas da orla da capital gaúcha que também têm bloqueado trechos para que os porto-alegrenses possam usar como área de lazer.

A inviabilidade econômica de transformar totalmente uma grande cidade para que seus moradores possam usufrui-la a pé com comodidade pode ser contornada com algumas ideias.

De acordo com Ana Rosa, a inviabilidade econômica de transformar totalmente uma grande cidade para que seus moradores possam usufrui-la a pé com comodidade, pode ser contornada com algumas ideias, mediante planejamento e viabilidade: “Em Nova Iorque, temos um exemplo maravilhoso, o High Line, um parque a 8 metros de altura, com aproximadamente 2,5 Km, que passa por três bairros e foi revitalizado. No local, passava uma via férrea, construída nos anos 1930 e desativada na década de 80”. Registros contam que, por volta de 1999, Joshua David e Robert Hammond, moradores da região que admiravam a via férrea, decidiram se mobilizar e reunir a comunidade para evitar a demolição programada pela prefeitura, já com a ideia de ocuparem o lugar para que a população pudesse usar para caminhadas, entre outras propostas. Devido ao valor do seguro ser muito alto para executar, a demolição foi abortada, dando lugar ao parque aéreo.

Gehl defende a humanização de espaços públicos por meio de planejamento urbano.

O que pode ser classificado como uma boa área dentro do conceito de walkability?

De acordo com Instituto Mobilidade Verde, são apontados aspectos como árvores, lugar para sentar no meio de uma caminhada, expressões de arte, segurança, boas calçadas, topografia. Em maio de 2017, a National Association of City Transportation Officials e o Global Designing Cities Initiative lançaram o “Guia Global de Design de Rua” (Global Street Design Guide), um compêndio de ideias em desenho e planejamento urbano aplicados em diversos países do mundo. O material encontra-se em inglês e pode ser acessado pelo globaldesigningcities.org.

Criz Azevedo

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